Ministros da CPLP reúnem-se em Cabo Verde para promover Ciência
11 de julho de 2014
Na capital cabo-verdiana vão estar o ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, Clelio Campolina Diniz, a ministra da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior de Angola, Maria Cândida Teixeira, e Portugal vai também marcar presença com dois governantes, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e a Secretária de Estado de Ciência, Leonor Pereira.
Fazendo a antevisão do encontro, o ministro cabo-verdiano do Ensino Superior, Ciência e Inovação, António Correia e Silva, justificou a escolha de Cabo Verde para albergar a reunião.
“No quadro da CPLP e na sequência do Conselho de Ministros do dia 15 de abril, em Maputo, ficou a recomendação de incentivar a formação de cientistas. No âmbito da CPLP vamos fazer aqui um primeiro seminário para traduzirmos esse apelo do Conselho de Ministros em programas concretos”. E Cabo Verde convoca este encontro “com base numa experiência feliz, que há um ano lançamos, e que foi aplaudida no Conselho de Ministros de Maputo, que é o programa Ciência para o Desenvolvimento”, afirmou o ministro.
António Correia e Silva sublinhou ainda determinação do país em construir uma economia pós-ajuda pública que seja “competitiva e com prosperidade partilhada por todos”. Para alcançar esta meta do Governo é necessário “o investimento na ciência e o marco zero desse investimento tem de ser a formação de cientistas”, garantiu o governante.
Reforço da cooperação Cabo Verde - Brasil
À margem da reunião, Cabo Verde vai assinar um protocolo de cooperação com o Brasil, à luz do qual o país africano vai poder formar cientistas com possibilidades de beneficiarem de mecanismos de mobilidade.
Os “cientistas cabo-verdianos poderão fazer estágios científicos nos laboratórios brasileiros”. Mas a estrada da cooperação é nos dois sentidos, defendeu o ministro António Correia e Silva, “há a possibilidade de trazer cientistas brasileiros e enviar cientistas cabo-verdianos”, pois “ninguém faz ciência isoladamente”.
A cooperação fará sentir-se também ao nível de maior “acesso a informação científica, pois o Brasil está num nível muito avançado” e “em áreas fundamentais como a agricultura, em que há um avanço muito grande de instituições como EMBRAPA [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], por exemplo, ou a área da saúde com a Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], com as quais podemos ter relações privilegiadas”, disse o ministro cabo-verdiano do Ensino Superior, Ciência e Inovação.
Ciência para o Desenvolvimento
A reunião dos ministros da Ciência e Tecnologia de Angola, Brasil, Cabo Verde e Portugal será ainda marcada pelo encerramento da parte letiva do programa Ciência para o Desenvolvimento.
“Esse programa começou em janeiro, fruto da cooperação entre o Ministério de Ensino Superior Ciência e Inovação de Cabo Verde e o Instituto Gulbenkian da Ciência. O edital abrange não só alunos cabo-verdianos como alunos de todos os Países Africanos de Língua Portuguesa e Timor-Leste”, detalhou António Correia e Silva.
O ministro lembrou ainda que, em Cabo Verde, esse programa é “inovador porque abrande dentro do mesmo curso três universidades, a UniCV [Universidade de Cabo Verde], a UNICA [Universidade Intercontinental de Cabo-Verde] e o Instituto Piaget e tem apoios dos Governos de Cabo-Verde, Portugal e Brasil, além de algumas grandes empresas”.
O ministro cabo-verdiano do Ensino Superior, Ciência e Inovação disse também que o encontro da cidade da Praia, a partir de segunda-feira (14.07), é mais um passo rumo à mobilização de financiamentos.
Ainda na segunda-feira, será lançado, na capital cabo-verdiana, um curso de capacitação de gestores nacionais em negociações internacionais com o apoio do Instituto Português para as Relações Internacionais.